Mas afinal o que é um Robô?

O Google define robô como:

“substantivo masculino
  1. máquina, autômato de aspecto humano, capaz de se movimentar e de agir.
  2. mecanismo comandado por controle automático ☞ ver gram/uso, a seguir.”

Livro: O Guia do mochileiro das galáxias

Segundo o “Guia do Mochileiro das Galáxias” de Douglas Adams:

“A Enciclopédia Galáctica define ‘robô’ como ‘dispositivo mecânico que realiza tarefas humanas’.

O departamento de marketing da Companhia Cibernética de Siriús define ‘robô’ como ‘o seu amigão de plástico’.

Guia do Mochileiro das Galáxias define o departamento de marketing da Companhia Cibernética de Siriús como ‘uma cambada de panacas que devem ser os primeiros a ir para o paredão no dia em que a revolução estourar’.

[…] Curiosamente, uma edição da Enciclopédia Galáctica que, por um feliz acaso, caiu numa descontinuidade do tempo, vinda de mil anos no futuro, definiu o departamento de marketing da Companhia Cibernética de Siriús como ‘uma cambada de panacas que foram os primeiros a ir para o paredão no dia em que a revolução estourou’. […]”

Brincadeiras à parte os Robôs são uma realidade no nosso dia a dia, mais que uma realidade eles são uma necessidade, hoje muitas empresas simplesmente não existiriam se não fossem os robôs.

Antes dos termos que utilizamos hoje, antes de qualquer robô existir de verdade Leonardo Da Vinci já fazia esboços do que ele viria a ser, sua criação foi batizada de “Cavaleiro mecânico” consistia em uma automação de um corpo coberto por uma armadura de cavaleiro.

Cavaleiro mecânico de Leonardo Da Vinci

Leonardo da Vinci construiu todos os mecanismos de articulação, equilíbrio e funcionamento necessário para andar normalmente, porém, em todos os esquemas de Da Vinci ele sempre esbarrava com a questão “E o centro de controle?”, faltava um cérebro.

Hoje os esquemas de Leonardo Da Vinci parecem ingênuos pois os mecanismos de equilíbrio necessários para se manter um corpo bípede em pé são incrivelmente complexos.

A expressão robô foi usada pela primeira vez em uma peça de teatro do dramaturgo e escritor tcheco Karel Čapek e deriva da palavra tcheca “robota” que significa “escravo” e também remete diretamente à “trabalho forçado” e “trabalho compulsório”.

A Peça em questão se chamava “R.U.R” (Rossum’s Universal Robots), escrita em 1921, contava a história do brilhante cientista Rossum que desenvolve uma substância e com ela consegue construir humanoides pré-programados que ele chama de “Robôs”, esses humanoides são capazes de substituir os humanos em trabalhos braçais. Surge assim a imagem do robô que temos até hoje.

Muitas pessoas acham que Isaac Asimov cunhou e desenvolveu sozinho o termo Robô em seus livros de ficção científica, mas o próprio bebeu na fonte original do termo. Suas centenas de livros possuem vários clássicos focados em Robôs entre os mais famosos “Eu Robô” e o “O Homem bicentenário”.

Livro: Eu robô de Isaac Asimov

Isaac Asimov foi responsável por cunhar as três leis universais da robótica, que são:

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.

2ª Lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.

3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

Posteriormente Asimov acrescentou a “Lei Zero”, acima de todas as outras: um robô não pode causar mal à humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra algum mal.

Hoje também temos diversos exemplos de Robôs Humanóides que se tornam cada vez mais reais, incríveis e numerosos, mas nessa década o que nos parece mais útil são robôs que estão desligados do esteriótipos de Humanóide.

Definição de Robô aplicado ao dia a dia

Robôs são construtos físicos ou lógicos que servem para auxiliar em tarefas de alto grau de repetição ou complexidade, tanto física quanto mental

Ex de Robô Físico

Os braços robóticos das fábricas de automóveis que fazem tarefas como Pegar a porta, soldar a porta, colocar a maçaneta e empurrar a porta para frente, repetindo essa tarefa em questão de minutos. A mesma tarefa feita por uma pessoa seria feita em cerca de 30 minutos e teria um alto grau de desgaste físico devido ao peso da porta e a temperatura e manuseio da solda e das ferramentas.

Ex de Robô lógico

Um programa de computador com o intuito de automatizar uma tarefa árdua, complexa e ou retilinia de maneira perfeita. Imagine um funcionário que tem que acessar dez sistemas e coletar dados de todos os sistemas e preencher uma planilha Excel, ele faz bem o trabalho dele cometendo poucos erros, mas parando para descansar e tudo mais. Um programa de computador conseguiria realizar a mesma tarefa que ele sem erros, sem interrupções e trabalharia por horas e horas a mais sem problema algum.

Robôs no mundo corporativo

Quando você pensa em robô em uma empresa o que lhe vem a mente são robôs que montam carros, aviões, que extraem petróleo e que são utilizados sempre para força física onde o ser humano não aguentaria ou ficaria estafado facilmente.

Hoje, no mundo corporativo os robôs são em sua maioria quase absoluta softwares, ou seja, programas de computador programado para tarefas específicas e repetitivas.

Um caso real

Durante uma pré auditoria preparatória, para uma auditoria verdadeira que viria nos próximos meses, uma grande empresa descobriu que havia cometido um erro durante um processo e modificou indevidamente centena de milhares de dados de clientes causando um prejuízo pequeno aos clientes porém perceptível. O departamento Jurídico dessa empresa ciente do problema pediu a correção imediata, porém o problema estava se desenvolvendo a anos e anos então o número de dados de clientes afetados era insano. Montou-se uma operação exclusiva para se corrigir esse problema, realocaram funcionários de outras áreas, a correção deveria ser feita em três sistemas com o intervalo máximo de cinco minutos entre eles para não perder o tempo de sincronia de informações entre os sistemas. A Operação de guerra (como ela era chamada) contava com 20 operadores e em 60 dias conseguiu realizar 1800 correções com sucesso, a estimativa é que esse número ia crescer de acordo com a capacidade de aprendizado da equipe, mas mesmo com o crescimento da velocidade e mesmo que a equipe dobrasse a estimativa seria de mais de uma década para solucionar os casos.

Um dos gerentes comentou que os custos para a correção seriam tão altos que seria melhor arcar com os custos das multas e dos processos dos clientes.

Então a empresa em que trabalho foi acionada, sentamos com os responsáveis para entender o processo, passamos 2 dias mapeando os sistemas e tentando entender o fluxo de informações de dados e mais 2 dias para construir o robô que fizesse as correções. Eram três sistemas distintos, tivemos que fazer os acessos exatamente como uma pessoa, usando usuário, senha e acessando as informações normais do sistema, não poderíamos ter acesso à nenhuma base de dados, tão pouco WebServices ou nada especial, apenas os acessos normais de usuários ao sistema Web, e assim fizemos.

No primeiro teste utilizamos máquinas ociosas na empresa durante uma madrugada, utilizamos as mesmas máquinas da equipe que estava realizando a correção durante o dia. O robô rodou em 20 máquinas das 00:00 até as 06:00 fazendo 120.000 correções, olhamos o código e mesmo com o resultado surpreendente percebemos que podia ser mais rápido e melhor, fizemos alguns ajustes e conseguimos mais máquinas para a madrugada seguinte, seriam 50 máquinas agora na madrugada, começamos a execução com atraso, às 1:30 hrs da madrugada, pois estávamos testando as correções, então às 6:00 hrs da manhã atingimos o número de 1.700.000 (1 milhão e 700 mil correções).

Estimamos então que em cerca de uma semana, nessa mesma marcha terminaríamos todas as correções, a tempo para que a empresa não fosse pega na auditoria, além disso havíamos conseguido 500 máquinas para executar o robô durante a madrugada. Mas no dia seguinte os sistemas dessa empresa ficaram lentos, engargalados e eles então pediram para que nós fizéssemos apenas 500.000 correções por dia, pois eles não suportavam mais que isso.

Nesse caso podemos ver a aplicação real de um Robô no mundo corporativo, o Robô foi desenvolvido a um custo baixíssimo e teve uma performance infinitamente maior do que qualquer performance humana no mesmo tempo. Os operadores voltaram para as funções reais deles.

Os registros foram corrigidos, os funcionários retornaram às suas funções originais e a auditoria veio e passou longe desse problema.

Robôs no mundo de hoje

Infelizmente, fora do mundo corporativo, é comum que robôs seja utilizados para algum objetivo fora da lei ou egoísta, o mais comum agora são robôs feitos em Javascript que rodam no navegador da vítima para minerar Bitcoins, isso é feito quando você acessa um site pornô ou algum site com bom conteúdo mas sem propaganda. O tempo que você leva para ver o site, olhar as fotos, assistir os vídeos ou responder seus testes de personalidade o processamento do seu computador se eleva para processar os Bitcoins.

Se uma pessoa deixar um computador rodando e processando Bitcoin ela terá uma conta de luz altíssima no fim do mês tornando o processo inviável, mas se você divide essa conta com milhares de pessoas, cada uma paga um pouco da sua conta e ninguém nem vê.

Esses são casos que o seu poder de processamento são roubados e são nocivos sim, mas não trazem prejuízo grande e imediato, mas outros casos como Robôs que capturam sua máquina e interceptam tudo, mouse, teclado e tela, gravando assim as senhas que você digitou, os sites que acessou, as conversas que teve e essas informações podem simplesmente ser sequestradas para exigir um pagamento depois.

Sim, Robôs podem ser usados como vírus malignos que escravizam computadores criando redes de zumbis invadindo sites no mundo inteiro por DDoS (Ataque de negação de serviço) e muito mais.

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